MSA Advogados, escritório jurídico, Rio de Janeiro, NR-1 e as implicações jurídicas

NR-1 e riscos psicossociais: o que a suspensão das multas pelo STF muda para as empresas?

As recentes alterações na NR-1 colocaram a saúde mental dos trabalhadores no centro das discussões sobre segurança e saúde ocupacional. Com a inclusão dos chamados riscos psicossociais no programa de gerenciamento de riscos das empresas, surgiram dúvidas sobre as novas obrigações dos empregadores e os impactos jurídicos decorrentes de seu descumprimento.

Esse cenário ganhou um novo capítulo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu temporariamente a aplicação de multas relacionadas a determinados dispositivos da norma. Mas afinal, o que muda na prática?

O que são os riscos psicossociais?

Os riscos psicossociais correspondem a fatores presentes na organização do trabalho que podem impactar negativamente a saúde mental dos trabalhadores.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Metas excessivas ou inatingíveis;
  • Sobrecarga de trabalho;
  • Falta de autonomia para execução das atividades;
  • Pressão excessiva por resultados;
  • Ambientes de trabalho hostis;
  • Conflitos interpessoais;
  • Falhas de liderança;
  • Situações de humilhação ou assédio.

Embora muitos desses elementos já fossem discutidos em ações trabalhistas e previdenciárias, a atualização da NR-1 trouxe a necessidade de uma abordagem preventiva e estruturada para o tema.

O que a NR-1 passou a exigir?

A norma passou a determinar que os riscos psicossociais sejam considerados dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Na prática, as empresas precisam:

  • Identificar possíveis fatores de risco;
  • Avaliar os impactos desses fatores sobre os trabalhadores;
  • Definir medidas preventivas;
  • Registrar as ações adotadas;
  • Monitorar continuamente o ambiente de trabalho.

O objetivo não é apenas atender uma exigência regulatória, mas promover ambientes mais seguros e saudáveis para os colaboradores.

Por que o STF suspendeu parte da norma?

A principal discussão não está relacionada à importância da saúde mental no ambiente laboral.

O ponto central é a falta de critérios objetivos para que empresas e auditores fiscais avaliem os riscos psicossociais.

Diversos dispositivos da norma atribuem às próprias organizações a responsabilidade de definir métodos, critérios e ferramentas para avaliação dos riscos. Essa subjetividade gerou preocupação em relação à segurança jurídica.

Diante desse cenário, o STF determinou a suspensão temporária da eficácia sancionatória de determinados dispositivos da NR-1, especialmente aqueles relacionados à inclusão e avaliação dos fatores psicossociais no sistema de gerenciamento de riscos.

A suspensão elimina as obrigações das empresas?

Não. Este é um dos principais equívocos observados no mercado.

A decisão do STF suspendeu temporariamente a possibilidade de aplicação de determinadas penalidades administrativas, mas não afastou a necessidade de prevenção e gestão dos riscos relacionados à saúde mental.

A própria decisão reconhece a relevância da proteção dos trabalhadores e a necessidade de implementação de medidas preventivas.

Portanto, empresas que interpretarem a suspensão como uma autorização para ignorar o tema poderão enfrentar dificuldades futuras, inclusive em processos trabalhistas.

Como a adequação pode reduzir riscos jurídicos?

Uma das maiores vantagens da estruturação adequada do PGR é a produção de evidências.

Quando a empresa documenta suas avaliações, identifica riscos e implementa ações de controle, ela cria elementos importantes para demonstrar seu comprometimento com a saúde e segurança dos trabalhadores.

Essa documentação pode ser relevante em:

  • Fiscalizações do Ministério do Trabalho;
  • Investigações do Ministério Público do Trabalho;
  • Ações trabalhistas envolvendo alegações de adoecimento mental;
  • Discussões sobre responsabilidade civil do empregador.

Qual deve ser o próximo passo das empresas?

Mesmo diante das discussões regulatórias, a recomendação é não esperar.

A melhor estratégia é iniciar ou fortalecer o processo de mapeamento dos riscos psicossociais com apoio de profissionais especializados em saúde e segurança do trabalho.

A gestão desses riscos deve ser encarada como um processo contínuo, e não como uma ação isolada ou meramente documental.

Afinal, uma palestra eventual ou uma campanha pontual de conscientização não substituem um programa consistente de gerenciamento de riscos.

Assista à análise completa

A advogada Fabiana Ferrão, sócia da MSA Advogados, realizou uma live especial explicando os impactos da NR-1, a suspensão das multas pelo STF e as medidas que as empresas devem adotar para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer sua segurança jurídica.

▶️ Assista à gravação completa abaixo ou em nosso canal no YouTube e fique por dentro das atualizações sobre o tema.

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